INTERIORES
No meu mundo interior habitam infinitas imagens. Belas imagens e imagens terríveis que chegam a dar medo. Na ausência do entendimento do que querem dizer, dou nomes diversos: esperança, fé, alegria, às vezes, felicidade.
Posso dizer que é um mundo desconhecido, porque me obriga a nominar pelo medo de sentir o seu verdadeiro significado.
Mas de uma coisa tenho certeza: é o desconhecido que me mantém vivo, pois se soubesse o real significado dessas imagens, talvez minha razão as sufocasse levando-me a uma vida vegetativa, à uma morte cerebral, com o corpo em movimento.
Interioridade, fonte da vida.
A cada dia , essas imagens, ás vezes novas, muitas vezes repetindo imagens anteriores, lançam no meu íntimo sentimentos diversos, gerando sonhos, às vezes viáveis, das quais a vida ainda não me ensinou tirar o devido proveito. Talvez mesmo não tenha vivido o suficiente para já possuir essa virtude. Doutras vezes, essas imagens me parecem ali na minha mão, ao meu alcance - me pegue, sou sua! - pedem-me.
Mas os filtros do real ainda me afirmam: - impossível! - E perco mais uma chance de ser um pouco mais feliz.
Mas é essa excitação diante do estranho estampado nessas imagens interiores que anima meus projetos de vida. Passo adiante a mensagem que delas emergem e que atinge minha existência física dando-me conta do que me parece inviável, mas nem por isso é suficiente para manter-me alheio ao mundo dos meus desejos. O que parece impossível de enquadramento no tempo e espaço, de repente torna-se plausível pela força da Fé não baseado na experiência do que já foi realizado, mas fortalecido pela Fé na possibilidade da realização do impossível e na gratificação que posso conseguir em desafiar o desconhecido.
No entanto, muitas vezes, as sombras interiores brotam ininterruptamente sem o devido controle, e ao ter de romper resistência de fibras nervosas, fazer jorrar gotas de neurotransmissores, que possam mobilizar músculos que tornem o sonho realidade, deixando de habitar o fantástico para tornar-se existência, o corpo me trai em nome da razão e me deixo paralisar.
Quando então a claridade da luz se encolhe, vem me fazer frente tudo aquilo que me parece sombra, e já percebendo o vazio existencial, vida sem sentido freada pelo temor de sentir o coração pulsar mais forte, paraliso músculos, freio minhas vontades. Prefiro buscar palavras a tentar viver, e começo a dar nomes a dor do sonho que não consegue acontecer: depressão, ansiedade, pânico, tédio, melancolia, sei lá.
Dar nome àquilo que se sente e não se compreende acaba sendo uma maneira cômoda de paralisar a vida e interromper o caminho que se abre todo dia a esse mundo de imagens, mundo que é fonte de vida. Mundo cheio de imagens que por mais que eu queira, por mais que o mundo diga: - não, isso é loucura! - nunca desaparecerão, e serão sempre minha razão de viver, elã vital.
Olha só, interioridade, o mundo que incomoda, e que sem eu o saber, aponta para as verdadeiras razões do meu existir.
A procura, o encontro, a descoberta, o amor, o caminho trilhado, a visão da luz no fim do túnel, as bases do meu agir. Imagens desconexas, anima e animus, ódio e amor, traição e lealdade, masculino e feminino sustentando uma essência, entrelaçando desejos num só ser: anseios de toques recíprocos, de corpo e de alma. Eros e Tanatos, lutando por mais um minuto de vida, intermediado pela luta de Dionísio e Apolo que traçam a estética do prazer de como e onde estar no mundo.
Razão irrompendo dando limites ao êxtase de se sentir vivo por instantes, impedindo-me de levar em frente essa ousadia de atingir patamares do impensável. Renúncia ao amor? Medo das convenções ou das decepções marcadas na alma?
Razão irrompendo dando limites ao êxtase de se sentir vivo por instantes, impedindo-me de levar em frente essa ousadia de atingir patamares do impensável. Renúncia ao amor? Medo das convenções ou das decepções marcadas na alma?

Ok! Beleza, como eu quis que saísse.
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