VELA ABERTA
Vela aberta. Jangada, barco, nau a navegarem mar a dentro. Jangada.
Nela pisando ao mesmo tempo que deslizando sou apenas recordações
e esperanças, além das sensações que percorrem um corpo trêmulo
diante da infinitude.
A jangada se afasta mais da costa, mar profundo.
Sensação de de liberdade total. A visão do infinito azul que mergulha
no reflexo das águas chega a dar medo quando uma ou outra onda
balança a jangada e também o equilíbrio aparente do corpo e mente.
O desconhecido aumenta ainda mais seu poder de sedução. É como se
a morte em alto mar já fosse um mero detalhe. Ao longe conforta nos
o pensamento de dois olhos apaixonados mirando-nos a distância na
esperança de que nossas trajetórias se cruzem a qualquer momento,
numa calmaria, numa tempestade, numa pequena brisa. . .
De repente o vento muda a direção da vela aberta e o ponto de chegada,
se existe, já é outro, da mesma forma que somos obrigados a mudar a direção
das nossas vidas almejando viver uns anos a mais nesse imenso mar em
que um dia começamos a navegar. No mar que crescemos e fomos
destinados a navegar. A vela aberta é a referência enquanto mantemos
a crença de que esse mar é infinito.(By José Bressanin-29.02.2012)

Nenhum comentário:
Postar um comentário